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segunda-feira, 4 de maio de 2015

EXISTE UM SEXTO SENTIDO?

O cérebro humano
Tato. Paladar. Visão. Olfato. Audição. Esses são os sentidos tipo mapa mental , e o que é mapa mental , que nos ligam ao mundo. Mas existem mais que  sentidos? Os pesquisadores estão aprofundando-se nas dobras ocultas do nosso cérebro, descobrindo que os cegos na verdade conseguem ver, Que os pensamentos podem viajar pelo espaço, e que, de algum meio, talvez tenhamos o poder psico de pressentir o futuro. Existe um sexto sentido?  ATRAVÉS DO BURACO DE MINHOCA  Espaço, tempo, a própria vida. Os segredos do cosmos através do buraco de minhoca.  EXISTE UM SEXTO SENTIDO?   O cérebro humano é um órgão incrível. Ele contém tantas células nervosas quanto as estrelas existentes na Via Láctea. Visões, sons, odores, tudo que ocorre no mundo à nossa volta causa ondas de atividade que percorrem essa imensa rede dentro de nossa cabeça. Poderia tal rede interagir com o mundo por meios que ainda não compreendemos? Só estamos começando a entender do que essas células realmente são capazes. Enquanto o cérebro permanecer um mistério, o sexto sentido não pode ser reduzido à superstição. Cientificamente, isso é totalmente possível. Eu era um bom garoto. Mas, de vez em quando, eu saía da linha. Mas mesmo de costas   eu sabia quando havia sido pego. Eu conseguia  sentir seu olhar acusador. Isso era um psico sexto sentido? Na Universidade Tilburg, na Holanda, Beatrice de Gelder está pesquisando como as emoções passam de pessoa a pessoa. Ela estuda a visão cega. Um estranho fenômeno em que alguns cegos conseguem ver emoções nos rostos de outras pessoas. Costumamos pensar na percepção visual como uma questão de olhos intactos. Os olhos só veem porque estão ligados ao cérebro. A maioria dos pacientes de Beatrice não parecem cegos. 



Externamente, seus olhos parecem normais. Mas, internamente, há uma lesão psico oculta. Em um cérebro saudável, uma complexa sinfonia de sinais corre dos olhos para uma região chamada córtex visual. Mas se o córtex visual for lesionado, geralmente resultado de um derrame, os sinais não mais podem ser captados. Um derrame geralmente afeta apenas um lado do córtex, deixando o paciente cego de um olho. Beatrice está investigando se o cérebro possui outros meios de captar sinais de tal olho. Ela usa uma divisória para separar o que o olho cego e o funcional do paciente conseguem ver. O computador mostra imagens de rostos de felicidade, tristeza ou raiva a apenas um lado. Apresentamos um estímulo. A imagem de alguém sorrindo, alguém esboçando alegria. Eletrodos no rosto do paciente captam quaisquer contrações dos seus músculos, identificando se ele reage às emoções exibidas. Constatamos que o rosto dele estava imitando. Ele estava usando os mesmos músculos sem saber, claro, que o modelo que está vendo na tela usa para produzir esse sorriso. O incrível é que os rostos emotivos estão sendo mostrados apenas ao lado cego do paciente. O olho bom vê apenas expressões neutras. Mas, seguidamente, os pacientes de Beatrice imitam as emoções que o olho cego está olhando. Mas a reação não é consciente. Perguntávamos à pessoa: "Tinha certeza, ou estava chutando?" Sistematicamente, obtínhamos a resposta de que era chute. Beatrice acredita que a visão cega é um complexo sensorial subconsciente profundo arraigado numa parte oculta do cérebro que recebe sinais dos olhos apenas quando a imagem é carregada de emoção. Mas onde poderia estar essa parte do cérebro? Estamos tentando explorar as diferentes camadas do cérebro. Partindo da superfície, tentamos entrar incógnitos. É como um trabalho secreto ou disfarçado. Sobre o que se alicerça? Quais as camadas mais antigas? Beatrice relevou tais camadas mostrando imagens de expressões faciais a pacientes com visão cega submetidos à ressonância magnética. Normalmente, a informação dos olhos percorre o nervo ótico indo direto ao córtex visual. Mas quando os olhos veem emoções humanas, os sinais desviam o percurso e vão para a amígdala, o colículo superior e outras seis estruturas do cérebro. O sistema visual humano consiste ao menos de  caminhos diferentes. Começamos a entender apenas um deles, os outros oito são completamente imperceptíveis. Apenas quando este precisa ser desviado que os caminhos alternativos têm uma oportunidade. Beatrice identificou caminhos psico mentais subconscientes que nos possibilitam não apenas ver estímulos emocionais mas pressenti-los. Todos temos esses caminhos, mesmo que normalmente sejam sobrepujados pelo nosso sentido primário da visão. É a primeira evidência científica de um novo sentido além dos  conhecidos. Devemos prestar atenção aos rumores sobre um sexto sentido pois ainda não temos uma noção clara das capacidades do cérebro. O trabalho de Beatrice mostrou que nosso cérebro pode pressentir coisas até mesmo quando não temos consciência delas. Isso implica que uma pesquisa em busca de um º sentido depende do conhecimento dos limites entre a percepção consciente e a experiência subconsciente. Uma vez ao mês, um grupo de elite de filósofos encontra-se num pequeno bar em Greenwich Village. Olá, Nova York. Eles se autointitulam a "Consciência Coletiva de Nova York." À frente deste improviso de jazz temos David Chalmers. Talvez ele nunca lote o Madison Square Garden, mas sua pesquisa está lhe rendendo fãs nos meios acadêmicos. Ele tenta entender a natureza e os limites da consciência. A consciência é o maior mistério do mundo, e por ser um problema tão difícil, os cientistas tendiam a deixá-la de lado. A ciência é objetiva. A consciência é subjetiva. Nos últimos  anos, os cientistas começaram a retomar a consciência como um problema autônomo. David acredita que a saída para se entender a consciência é pensá-la em camadas. Camadas construídas pelos dados que nossos sentidos reúnem. A consciência apresenta diferentes níveis. Primeiro, tem-se a consciência primária. É a consciência das coisas ao nosso redor. Eu olho, posso ver alguém e o que há ao seu redor. É o meu primeiro nível de consciência. Mas se eu parar para refletir, eu poderia ficar consciente da minha consciência. Podia ficar consciente do que estou pensando. Então, temos a consciência dentro da consciência. Se eu refletir outra vez, posso começar a ficar consciente de que estou consciente da minha consciência. Assim, temos consciência que contém consciência que contém consciência. Três níveis de profundidade. Em tese, podemos repetir isso ao infinito. Por nosso cérebro lidar com tantas camadas, é óbvio que nem sempre estamos cientes de tudo que pressentimos. Algumas coisas estão no fundo de nossa consciência, bem longe. Algumas coisas passam por nossa consciência atraem nossa atenção por um instante, depois, seguem. Algumas coisas estão no foco de nossa consciência. Atraem nossa atenção. Não vão embora. Mas como descobrimos o que estamos perdendo? Por que apenas certa atividade neural consegue chegar à nossa consciência? O que ocorre no nosso cérebro quando estamos conscientes de algo ainda é um completo mistério. Uma das questões básicas sobre a consciência é se podemos explicá-la em termos de processos físicos pois na ciência nos habituamos à ideia que começamos com alguns elementos básicos da física, como espaço, tempo e matéria. Combine-os e poderá explicar tudo. Pode-se explicar a química e a biologia. Creio que no caso da consciência, esse método de raciocínio se rompe. Para mim, temos um novo elemento estrutural na natureza da consciência, e precisamos entender as leis fundamentais que o regem. Este cientista acha que descobriu um novo e surpreendente aspecto da consciência. Ele acredita que ela não existe apenas dentro de nossa mente mas também se exterioriza. E ele afirma possuir evidência para provar isso. O que é um pensamento psico ? Os neurocientistas diriam que é apenas um padrão de atividade elétrica em nosso cérebro. Mas seu eu franzir a testa ou sorrir, meus pensamentos podem atravessar uma sala. Na verdade, eles estão afetando você neste instante. Alguns cientistas acreditam que é assim que o º sentido funciona, que os pensamentos humanos fundem-se numa consciência coletiva que abrange o globo. Roger Nelson passou os últimos  anos procurando evidência de uma mente global. A consciência vive no mundo real. O contato é muito tênue, mas por ser um contato real, ele é muito importante. A maioria não acredita que isso seja possível. A pesquisa mostra que é possível. Em meados dos anos , Roger começou a investigar um estranho fenômeno relatado por outros pesquisadores. Eles tinham notado que as leituras de aparelhos eletrônicos chamados de geradores de números aleatórios podiam ser afetadas por alguém próximo a eles, se tal pessoa concentrasse seus pensamentos neles. No decorrer de uma longa série de experiências, por anos, descobrimos que as pessoas podiam mudar o comportamento dos geradores de números aleatórios de leve, mas de forma importante. Os geradores de números aleatórios são jogadores eletrônicos de cara ou coroa. Em vez de cara ou coroa, eles jogam uns ou zeros. Seus resultados deviam ser totalmente aleatórios. Roger ponderou que, se alguém próximo podia alterar suas leituras, então talvez os pensamentos em massa de cidades inteiras pudessem fazer o mesmo. Será que geradores de números aleatórios posicionados ao redor do mundo poderiam rastrear a mente de milhões de pessoas? O que fizemos foi criar uma experiência científica com uma hipótese bem simples. A ideia era que, se um grande número de pessoas comunga um estado de consciência, sobretudo emocional, a nossa rede apresentaria desvios da aleatoriedade. No final dos anos , Roger havia convencido vários colegas mundo afora a coletar dados numéricos aleatórios em seus laboratórios. Nascia o projeto "Consciência Global". Este é o mapa que mostra onde o projeto Consciência Global tem laboratórios mundo afora. Aqui, temos o Havaí, a Austrália, Nova Zelândia, vários na Europa. Há um gerador de eventos aleatórios ou de números aleatórios ligado a computadores nesses locais. Essa rede global opera todos os dias, coletando dados e enviando-os a um servidor no laboratório de Roger em Princeton. Recebemos dados em tempo real, e, a cada segundo, surge um sinal colorido. Em sua maioria, pequenos, mas quando há um grande desvio nos dados como este. Oh, meu Deus, mais um. É incomum ver tantos desvios em curto período de tempo. Toda vez que ocorre um grande fato mundial, Roger verifica se sua rede desvia do padrão normal. E muitas vezes, ela desvia. Algumas das mais fortes alterações ocorreram durante a eleição presidencial de . Quando a votação foi encerrada, a imprensa dizia que seria vitória de Obama. Este gráfico mostra os dados da hora que as urnas foram encerradas até  horas depois. No meio disso há o discurso de vitória de Obama.  Nunca fomos apenas um grupo de indivíduos. Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.  Surge uma forte tendência. Subindo desta forma. A probabilidade é de  em  de termos esse acúmulo de efeitos positivos em um conjunto de dados deste tamanho. Temos mais de  experiências independentes. Quando reunirmos todos os dados dos  anos dessas experiências, o resultado final terá probabilidade de  em  bilhão. Os dados de Roger indicam a existência de uma certa forma de consciência global. Mas como ela deve funcionar? O biólogo Rupert Sheldrake acredita que a resposta está num campo oculto produzido por todos os seres vivos. Ele o chama de "campo mórfico." Campos são regiões de influência. É fácil ver o que eles são usando os campos magnéticos. Estas bolas são pequenos ímãs, quando eu as jogo no prato, as bolas se atraem ou se repelem. Elas se viram e assim juntam-se criando padrões. Os campos têm auto-organização. Eles são inerentemente integrativos. Estou sugerindo que existe um tipo de campo chamado mórfico, que organiza os corpos de animais e plantas e organiza as atividades cerebrais e mentais. Rupert acredita que os campos mórficos são o que possibilitam as aves voar em perfeita formação, o que orienta as migrações em massa de grupos de animais, ele também acredita que eles são o motivo de termos aquela estranha sensação quando alguém olha para nós. Ele até realizou uma série de experiências para tentar provar que este sentido é real. Não está olhando. Olha-se ou não em uma sequência aleatória para alguém, e ele tem de adivinhar a cada tentativa se estão ou não olhando para ele. Não está olhando. Quem olha deve concentrar sua mente na pessoa que está olhando. Quando faço isso, também penso no nome da pessoa. Está olhando. E concentro toda a minha atenção nela. Quando não estou olhando para ela, olho para o chão ou fecho meus olhos, e penso em algo totalmente diferente. Não está olhando. Excelente.  acertos e  erros.
 Algo acontece, e embora o efeito não seja expressivo, é consistente e se repete ao longo de grande parte dos testes. Rupert reuniu um conjunto de provas que mostra que as pessoas parecem saber quando estão sendo observadas. Para ele, isso embasa a ideia de que nosso corpo é cercado por um campo mórfico, uma extensão invisível de nós mesmos. Estou sugerindo que nossa mente age através de campos ampliados que se estendem além de nossa cabeça rumo ao mundo que nos cerca, ligando-nos aos outros e ao nosso meio. Muitos cientistas descartam as ideias de Rupert, afirmando que se existissem campos mórficos, já os teríamos detectado a essa altura. Mas em um laboratório escuro em Sudbury, Ontário, este pesquisador acredita ter detectado e que tem prova que os pensamentos podem voar de uma mente a outra. A todo instante de todos os dias, estamos cercados por uma força invisível. Nosso mundo é envolto por um campo magnético. Para muitos seres terrestres, a vida seria impossível sem ele. As aves, as tartarugas marinhas e os peixes dependem desse magnetismo mundial para se deslocar. Será que nossa mente também poderia usá-lo? E seria ele, talvez, a fonte do sexto sentido? Michael Persinger comanda o grupo de pesquisa de neurociência na Universidade Laurentian, no Canadá. O poderoso efeito do campo magnético da Terra sobre os animais, o inspirou a investigar se ele também poderia nos influenciar. Os animais usam o campo magnético tridimensional da Terra como uma espécie de dispositivo de navegação ou de homing. Há provas muito boas disso. A ligação que Michael sugere possa existir entre o campo magnético da Terra e o cérebro humano é bem mais polêmica. O sexto sentido  é a capacidade de detectar informação a distância, essa é uma das definições  por mecanismos ainda desconhecidos. A pergunta crítica é como isso é feito. O campo magnético da Terra é o meio ao qual todos estamos expostos, todos os  bilhões de nós. É isso que possibilita a troca potencial de informação. Segundo essa teoria, o campo magnético da Terra é como um oceano repleto de ondas. A atividade elétrica do cérebro pode surfar sobre ele, passando de uma pessoa a outra. É uma ideia radical, mas Michael criou uma experiência elaborada para testá-la. Faça de tudo, menos perfurar a cabeça dele. A trepanação é proibida no Canadá. Sua equipe pôs duas pessoas, Mandy e Mark, em salas distantes  metros. As salas estão isoladas acústica e visualmente uma da outra. Elas também estão completamente protegidas do campo magnético da Terra. Michael o substitui com um campo magnético controlado com precisão, criado por ele, gerado por bobinas elétricas nesta faixa para cabelo. Dessa forma, ele se certifica que Mandy e Mark vivenciem campos magnéticos idênticos. Criando a mesma configuração complexa de um campo magnético em dois cérebros diferentes a certa distância, basicamente imita-se o que ocorre na natureza, no campo magnético da Terra. Vou apagar as luzes, e registrarei seu eletroencefalograma. Poderemos ver se sua atividade cerebral é a mesma por compartilharem o mesmo campo magnético. Durante os próximos  minutos, uma luz piscará várias vezes em Mark enquanto Mandy segue sem perturbação em sua sala escura. Michael e sua equipe monitoram a atividade cerebral de ambos. Após três minutos, a luz começa a piscar na sala de Mark. Podemos ver uma elevação ali. Cerca de  minutos depois, a luz pisca outra vez. Mesma intensidade. Vemos elevações mesmo neste aqui. A atividade cerebral de Mandy aumentou bem na hora que Mark via a luz piscante. Agora, a equipe do Dr. Persinger precisa saber o que Mandy vivenciou enquanto estava no escuro. Após cerca de  minutos, no meu campo visual esquerdo, percebi uma luz brilhante. Durou pouco tempo, senti como se ela tivesse sumido na escuridão outra vez. Depois, aproximadamente aos  ou  minutos, senti um clarão no meu campo periférico direito. Quando a luz piscava para um deles, produzindo essas alterações, a atividade cerebral do outro, mesmo no escuro, também mudou. A experiência parece mostrar que dois cérebros em locais separados podem compartilhar uma experiência individual. Os pensamentos humanos não são não-físicos. São unidades físicas de potencial de ação do próprio nervo. Podem ser transmitidos pelo espaço? Sob certas condições, sem dúvida, e há prova disso. Se temos  bilhões de cérebros humanos imersos no campo magnético, e eles estão, então uma alteração em um, se estiver conectado, e estamos, pois as linhas do fluxo magnético passam pelo nosso cérebro, então uma alteração em um poderia influenciar todos. Michael Persinger acredita ter prova de uma forma primitiva de sexto sentido, uma capacidade de dividir sensações simples com gente que está distante de nós. Mas nossos sentidos podem não ser apenas capazes de viajar pelo espaço. Podem ser capazes de percorrer o tempo e pressentir o futuro. A ciência está cheia de ideias que parecem difíceis de acreditar. Por exemplo, a mecânica quântica. Nesse estranho mundo da física subatômica, uma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo  Até que olhemos para ela. A maioria dos físicos dirão que onde a partícula termina é apenas um jogar de dados. Mas há outra teoria. Minha mente consciente poderia estar controlando esse mundo subatômico. E o sexto sentido poderia ser o que faz o Universo funcionar. Michio Kaku é físico teórico. Como um pioneiro da teoria das cordas, que propõe que o mundo é eneadimensional, ele acredita que os cientistas precisam manter a mente aberta quanto ao sexto sentido, independente do quanto ele pareça estranho. Nós, físicos, somos revolucionários conservadores no sentido de que temos de ser abertos a todo tipo de fenômeno maluco e estranho. Quem teria imaginado algo chamado radioatividade? Imaginado que temos forças quânticas? Temos de ser abertos a tais coisas. A teoria física mais bem sucedida de todos os tempos chama-se mecânica quântica, a teoria do átomo, pois baseia-se na ideia das probabilidades, de que não precisamos saber onde está um elétron. E os elétrons podem existir, de certa forma, em múltiplos estados ao mesmo tempo. A natureza imprecisa das partículas subatômicas pode fornecer um meio de explicar o sexto sentido. Erwin Schrodinger, um dos fundadores da mecânica quântica, criou uma hipótese que reforça as estranhas leis de sua teoria. Digamos que colocamos um gato e um frasco de veneno numa caixa. Acrescentamos um átomo de urânio radioativo e um contador Geiger. Se o urânio decair, irá acionar o contador Geiger, que irá liberar o veneno e matar silenciosamente o gato. Antes de abrirmos a caixa e olhar, não podemos saber se o urânio decaiu ou não pois o decaimento radioativo é um evento quântico probabilístico. Eis a pergunta. O gato está morto ou vivo? Segundo a mecânica quântica, o gato não está morto nem vivo mas a soma dos dois estados. Nessa altura, você dirá que é mentira. Que é absurdo. Como se pode estar morto e vivo simultaneamente? O gato de Schrodinger devia mostrar que nada neste Universo é certo até que alguém avalie. Mas outro pioneiro da mecânica quântica, Eugene Wigner, acredita que isso pode nos ensinar algo a mais sobre o funcionamento do Universo, que a consciência controla tudo. Wigner propôs dar um passo além. "Se eu, um ser humano, olho para o gato, estou consciente. "Portanto, a consciência determina a existência." Nessa altura, Einstein irritou-se e disse: "Como? "Está dizendo que o fato de ser um ser consciente "determina o fato de o gato estar vivo?" A resposta é "sim", e Wigner deu mais um passo. Qual seja: "Como sei que estou vivo?" Eu e o gato fazemos parte do mesmo Universo. Se não sei se o gato está vivo ou morto, eu também poderia estar morto e nem sequer saber. Então, quem determina que estou vivo? O amigo de Wigner olha para mim, eu olho o gato, e nós existimos. Mas quem olha para o amigo de Wigner? Há uma cadeia infinita de pessoas vendo pessoas que veem pessoas até, finalmente, chegarmos à consciência cósmica. Parte da consciência é etérea, envolve o Universo, que nos olha e diz: "Ahã, o gato está vivo." Wigner acreditava que a consciência é uma parte indissociável da realidade, que nada acontece no mundo físico a menos que uma mente consciente o observe. A maioria dos físicos consideram que a consciência cósmica é uma ideia intrigante que nunca será comprovável. Mas, em Princeton, Nova Jersey, Roger Nelson pode ter evidência concreta. No vasto conjunto de dados coletados por seu projeto de Consciência Global, uma data se destaca acima das demais. Exploramos os dados próximos a  pois houve alterações. Isto mostra um pouco mais que uma semana em torno do . Aqui, bem no meio, está o  de setembro, este pequeno quadrado representa o período em que o primeiro avião colidiu até a hora em que a última torre caiu. Naquele dia fatídico, a rede global de Roger registrou dados numéricos aleatórios segundo a segundo. Aqui, temos alguma atividade que não parece normal, e, neste ponto, às h da manhã, os dados mudaram e subiram de uma forma que parece altamente expressiva. É uma aberração no trajeto aleatório, que parece centrada no , acontece assim para estar centrada no , ela começou após a colisão do primeiro avião. Não temos uma explicação para isso. O  foi o primeiro e único momento em que a rede de consciência global reagiu a um evento antes de ele começar. Roger acredita que isso mostra que a consciência humana não reage apenas a grandes eventos, ela é uma parte indissociável deles. Mas a natureza dessa ligação ainda não está clara. Uma das questões difíceis com a qual lidamos é como ela funciona. Seria uma consciência global que podemos imaginar mas que não podemos perceber diretamente? Seria a consciência global tendo uma premonição? Para ser franco, não sei dizer quais dessas coisas poderia ser. Seria isso a primeira prova de uma consciência cósmica? Algo que faz parte do próprio tecido do Universo? Este homem acredita que sim. Ele afirma ter prova de que cada um de nós tem um poder mental extraordinário de prever o futuro. O futuro está sempre por aí  apenas fora do nosso alcance. A pergunta é: Podemos percebê-lo antes que ele se torne o presente? Todos nós pressentimos quando algo está para acontecer. Agora, os pesquisadores afirmam ter prova de que tais pressentimentos são mais que superstição. Eles poderiam estar vindo do nosso sexto sentido. Dean Radin, cientista sênior do Instituto de Ciência Noética, é uma das principais vozes no estudo do º sentido. A maioria, em dado momento tem uma experiência que pode classificar de intuição ou pressentimento. Algo bem comum é dirigir pela estrada, deparar-se com um cruzamento, ter um mau pressentimento e reduzir a velocidade. Algo parece assustador. Um caminhão corta o sinal vermelho. Ele teria nos atingido se não tivéssemos reduzido.
 Mas o que é isso? Às vezes, é coincidência. Às vezes, as pessoas inventam coisas. A experiência do pressentimento é uma forma de ver, em tese, se isso é ou não é porque estamos prevendo a nossa experiência futura. Levante seu braço. Dean desenvolveu um método científico para testar se as pessoas podem antecipar fatos futuros, habilidade que ele chama de "pressentimento". Hoje, ele está trabalhando com uma voluntária, Janet. - Divirta-se. - Obrigada. Ele pediu a ela que olhasse uma série de imagens no monitor de um computador enquanto ele registra as reações fisiológicas do seu corpo. Ela está vendo uma série aleatória de fotos. Algumas são amenas, algumas contêm carga emocional. Dean mapeia os condutores na pele de Janet, uma medida do seu nível de estresse, comparando ao tipo de imagem que ela está vendo. O que Dean e qualquer outra pesquisa psicológica devia esperar encontrar era uma mudança brusca na reação logo após uma imagem chocante. Mas não é isso que ele encontra. Esta linha mostra quando a imagem surgiu. Se a imagem surgiu aqui, acharíamos que não deveria haver diferença na média geral das imagens emotivas e na média geral das imagens amenas. Mas quando ela vê uma imagem emotiva, há uma alteração. Se voltarmos no tempo,  segundos antes, podemos ver que a partir desse instante se será uma imagem emotiva, ela já está ficando emotiva em comparação à amena. Essa diferença é o que chamo de reação de pressentimento. Segundo a pesquisa de Dean, o corpo de Janet reage às imagens  segundos antes de ela as vir. É o mesmo efeito que encontrou em centenas de testes durante os últimos  anos. Todos os pesquisados mostraram essa reação de pressentimento. Parece que a informação está vazando de volta no tempo. Essa experiência indica a existência de um efeito antecipatório de  segundos. Não sabemos qual é o limite. Se a nossa mente pode enxergar o futuro  Como podemos explicar isso cientificamente? Na década de , durante a Guerra Civil Americana, o físico James Clerk Maxwell, na Inglaterra, decifrou toda a teoria da luz e do eletromagnetismo. Maxwell mostrou que a luz, essa coisa misteriosa que permeia nosso Universo, é, na verdade, uma onda. Hoje, sabemos que a luz é apenas um onda de eletricidade e magnetismo oscilando em conjunto. Imagine uma dançarina agitando uma fita gigante. Ocorre o movimento da mão, e depois, a onda começa a se desfraldar. Mas vou contar um segredinho. Existe uma segunda solução para a equação de Maxwell que tem assombrado a física nos últimos  anos. Também existem ondas estranhas avançadas. Soluções que nos possibilitam ver o futuro. Na solução de onda avançada, a fita se move antes da mão da dançarina. A informação viaja do futuro ao presente. Poderia essa solução alternativa a uma das leis básicas da física explicar os resultados de Dean Radin? Nos anos , o gênio da física Richard Feynman descobriu que a solução das ondas avançadas era de fato um indício matemático da existência de uma nova matéria. A antimatéria. O que parece ser matéria viajando de volta no tempo é, na verdade, antimatéria agindo normalmente. Matéria voltando no tempo é a mesma antimatéria que avança no tempo. Achamos que talvez seja possível ver o futuro, falar com nossos descendentes do presente. Mas havia Feynman, que afirmava que não. Feynman recebeu um Nobel pelo seu trabalho. Mas Dean Radin não está convencido que as ondas avançadas correndo para trás no tempo, oriundas do futuro, podem ser totalmente descartadas. Na física moderna, hoje ao menos temos um argumento plausível. Não podemos mais dizer que o mundo físico torna isso impossível. Sabemos que é possível. Hoje, o desafio é dizer: "Como ligamos essa lacuna?" Os avanços na física teórica são um meio. Mas existe um outro  mais provas. Este pesquisador pode ser o homem que finalmente convencerá o mundo de que o sexto sentido é real. Os cientistas têm pesquisado por evidências do sexto sentido há mais de um século. Se ele existir, não poderá ser mais forte que os outros  sentidos, do contrário, não estaríamos discutindo a seu respeito. Mas se pudermos provar que o sexto sentido é real, sua fraqueza não importará. Isso mudaria completamente a física moderna. Daryl Bem teve uma longa e exitosa carreira como professor de psicologia na Universidade Cornell. Hoje, ele também direcionou seu foco ao sexto sentido. Eu queria trabalhar com precognição ou premonição pois aturdi-me pensar que o futuro possa afetar o passado. Daryl passou os últimos  anos testando tal questão. Uma pessoa fica diante de duas cortinas, é informada que atrás de uma delas haverá uma foto e atrás da outra, uma parede branca. Sua tarefa é escolher a cortina que tem a foto detrás de si. Assim como Dean Radin, Daryl está tentando ver se as pessoas podem antecipar eventos futuros. O computador espera até que ela selecione, e, então, sem trapacear, vendo o que ela selecionou, ele joga cara ou coroa. Na maioria das vezes, o índice de êxito   . Em outras palavras, ela está adivinhando. Mas apenas quando o computador mostra imagens eróticas, os pesquisados preveem o que está atrás da cortina das vezes. Uma pequena, mas estatisticamente importante alteração da probabilidade. Daryl acredita que essa habilidade de pressentir oportunidades eróticas no futuro foi desenvolvida durante milhões de anos. Foi modificada pela evolução para dar uma vantagem no encontro de parceiros. A evolução alicerça-se na vantagem reprodutiva, a habilidade de procurar e ter oportunidades sexuais. Por isso, evolutivamente, faz sentido achar que a precognição ou algo do tipo serviria como vantagem reprodutiva e de sobrevivência. Se ele tiver razão, Daryl revelou um aspecto totalmente inesperado da natureza humana. O tempo pode não correr em uma direção. E o ser humano, sendo um sobrevivente evolutivo, aprendeu a usar isso em sua vantagem. Chamo isso de "sentir o futuro" pois baseia-se no fato de que o futuro pode afetar tanto nossos pensamentos, cognição, quanto emoções. Quando isso foi publicado na revista "Journal of Personality and Social Psychology", o artigo de Daryl atraiu atenção pelo mundo afora. A pesquisa do sexto sentido, há muito à margem da ciência, está cada vez mais algo normal. Há bem mais coisas relacionadas ao º sentido ao nosso redor do que estamos dispostos a reconhecer pois estamos processando bem mais informação de forma contínua do que temos ciência. Sem dúvida, é físico. Está ligado a pequenas quantias de energia, e nos diz que existe uma ligação entre nós e o mundo que nos cerca que não havíamos compreendido antes. Chegamos ao ponto em que podemos mostrar que temos descobertas anômalas. E o que queremos dizer com isso? Significa que não se encaixa à atual estrutura de como conceitualizamos a realidade física. Estamos na fronteira do conhecido. Podemos afirmar com muita convicção de que no âmbito dos fenômenos físicos, algo interessante está ocorrendo. Existe um sexto sentido? Essa não é mais a pergunta certa a se fazer. A pesquisa cerebral já revelou caminhos sensoriais anteriormente desconhecidos. Mas se os nossos pensamentos podem se unir a uma mente global ou se podemos pressentir o futuro, até agora temos apenas fragmentos de provas. No final, encontraremos as respostas pois todas elas estão  Bem aqui.

O QUE HOUVE ANTES DO PRINCÍPIO?

Big Bang
O Big Bang , uma torrente de energia que levou nosso universo do nada ao tudo, criando o espaço e o tempo. Ainda é a melhor teoria para o que houve no princípio do tempo. Mas uma nova geração de cientistas ousa ponderar o que outrora era considerado impossível. Estamos errados quanto ao Big Bang? E logo poderíamos descobrir o que houve antes do princípio?  ATRAVÉS DO BURACO DE MINHOCA  Espaço. Tempo. A própria vida. Os segredos do cosmo através do buraco de minhoca.  MUSKETEERS Albattroz Cape Kakko   O QUE HOUVE ANTES DO PRINCÍPIO?  Como o universo começou? Todos ouvimos falar do Big Bang, mas como sabemos que foi assim que aconteceu? Afinal, não havia ninguém para ver isso acontecer. Se essa questão parece difícil de responder, que tal esta: O que houve antes de o universo surgir? Eu me deparei pela ª vez com esta eterna questão na igreja metodista.  Uma bela carruagem   Vindo para me levar para casa  No livro do Gênesis, Deus disse: "Faça-se a luz! E a luz foi feita." Depois, Deus criou os céus e a terra. Mas se tudo começou nesse instante, como existia Deus para criá-lo? Poderia existir tempo antes do tempo? É uma questão que intriga cientistas, filósofos e o resto de nós há mais de . anos. Mas nos anos , uma descoberta científica jogou nova luz sobre o princípio dos tempos e o que pode ter ocorrido antes, graças a este homem, Edwin Hubble. No topo do Monte Wilson, no sul da Califórnia, Hubble apontou uma nova arma poderosa para o céu, o poderoso telescópio Hooker de , m. Ao olhar através dele, ele se tornou o primeiro homem a contemplar a verdadeira dimensão do universo. Hubble viu que as pequenas manchas de céu embaçado não eram aglomerados de gás, mas outras galáxias. O universo estava repleto não de milhares, mas de centenas de bilhões delas. Apesar desta descoberta extraordinária, as observações de Hubble levariam a uma conclusão ainda mais profunda, de que o universo está se expandindo, cada galáxia distancia-se cada vez mais. Ao analisarmos esse panorama no passado, toda a matemática indica um único momento de princípio infinitamente pequeno e denso para nosso universo. Os cientistas têm um nome para este estágio inicial. Singularidade. Antes do Big Bang, não havia espaço e tempo. Literalmente, não havia nada antes desse princípio. Ao partimos dessa singularidade, a força motriz foi o Big Bang. Uma explosão colossal de energia e matéria que deu origem a tudo que vemos no céu hoje. Ele também criou o espaço e o tempo. Conforme a radiação e a matéria eram lançadas em diferentes direções, o universo acabou resfriando. A gravidade fez a matéria aglutinar-se, e surgiram as estrelas  E, depois, explodiram. Mais tarde, vórtices de poeira e rochas reuniram-se em torno das estrelas mais novas. Por fim, vários bilhões de anos após o Big Bang, surgiu um planeta como a Terra. Esta história surpreendente virou um novo dogma, mas embora robusto, o Big Bang ainda é mera teoria. O professor de Física de Princeton, Dr. David Spergel, passou boa parte de sua carreira tentando entender "se" e "como" este fato cataclísmico ocorreu. Às vezes o chamam de o "Sr. Universo". Para Spergel, o Big Bang ainda é o modelo científico mais completo do princípio do universo. Tudo ao nosso redor proveio do ardor do Big Bang. O universo começou, segundo a teoria do Big Bang, extremamente quente e denso. Essa radiação de calor esfriou. A partir dela surgiu a matéria, a radiação, tudo que compõe o mundo a nossa volta. E aqui estamos na Bell Labs, em Crawford Hill, o lugar onde surgiu a teoria do Big Bang, de certa forma. Arno Penzias e Robert Wilson são rádio-astrônomos que trabalharam na Bell Laboratories. Eles estudavam o céu em micro-ondas pois a Bell Labs explorava a ideia de usá-lo para comunicação por micro-ondas. Era . A essa altura, os dois não tentavam resolver nenhuma grande questão cósmica. Ele só tentavam fazer com que a maldita coisa funcionasse. Para começar, um ruído misterioso interferia no seu sinal de rádio. Penzias e Wilson eram ótimos rádio-astrônomos. Eles construíram um telescópio muito bom. Eles o projetaram para não haver ruídos de fundo, mas lá estava ele. O ruído de fundo que eles ouviam provinha de todos os cantos do céu. Wilson e Penzias tentaram de tudo, até varrer a areia e as folhas da antena, mas ainda havia ruído. Tentaram arrefecer os receptores com hélio líquido. O ruído permanecia. Até removeram uma família de pombos e as fezes respectivas. Mesmo assim o ruído não desaparecia. Às vezes a ciência consiste em eliminar um monte de coisas e ver o que sobra. Após descartar tudo que podiam imaginar, eles perceberam que tinha de haver algo. A única possibilidade era de que ele viesse de algum lugar fora de nossa galáxia, e parecia uma ideia pouco convencional. Não sabíamos o que fazer com aquele resultado. Após consultar uma equipe de físicos de Princeton, Wilson e Penzias notaram que a única razão para algo vir de todas as partes do céu era se fosse um fraco eco de um imenso evento cósmico. Medimos a temperatura de fundo, o ruído remanescente da criação do universo. Após  anos de especulação e cálculos de alguns dos cientistas mais famosos do mundo, os dois engenheiros de rádio se depararam com um choro fraco do nosso próprio nascimento cósmico. A origem do ruído tinha de ser o calor residual do Big Bang. A imagem do princípio do tempo e do espaço começava a surgir. Este balão é o nosso universo. Conforme eu o expando   notem como as coisas no balão distanciam-se umas das outras. Não estamos no centro do universo. O universo inteiro está se expandindo. Expandindo-se no tempo. O mesmo ocorre com a radiação. A radiação de micro-ondas não está vindo até nós e nem estamos no centro do Big Bang. O balão inteiro está cheio de radiação do Big Bang. Conforme ele se expande, a radiação esfria. Quanto maior o balão, mais frio é o universo. Agora façamos o universo voltar no tempo. Ele se contrai, fica cada vez mais quente. Voltamos ao instante da singularidade inicial. Ao momento em que o Big Bang começou. Tudo, todo o espaço, está contraído aqui. Quando a radiação de calor foi gerada. Ela não foi gerada em um local. Foi gerada em toda parte. O Big Bang ocorreu em toda a superfície do balão. A descoberta acidental da radiação cósmica de fundo em micro-ondas garantiu aos dois engenheiros de rádio o Nobel de Física. Também deu aos cientistas a primeira boa estimativa de quando ocorreu o Big Bang, entre  a  bilhões de anos atrás. Nossa compreensão do universo jamais seria a mesma. Mas, para David Spergel, ouvir o eco do Big Bang de uma colina em Nova Jérsei não era o bastante. Ele queria voltar no tempo àquele instante inicial, quando a luz encheu o universo, e vê-lo. Ele precisava de um foguete  Um foguete que registraria a foto dos primeiros instantes do universo. . Com o lançamento da Sonda Wilkinson de Anisotropia em Micro-ondas, ou WMAP, os cientistas tentavam ver o mais longe que pudessem do princípio do nosso mundo. O sonho de Spergel levantava voo. Quando víssemos a micro-onda de fundo, veríamos o espaço de volta no tempo. Veríamos quando o universo tinha apenas  mil anos. Quando ele esfriou o bastante para que os elétrons e prótons se combinassem para produzir o hidrogênio. O hidrogênio é transparente à luz das micro-ondas, assim ela podia viajar livremente de lá até hoje. Dois anos depois, os resultados surgiram.  Os primeiros resultados da Sonda Wilkinson da NASA   A WMAP cumpria sua promessa. O retrato de quando o universo era um bebê, apenas  mil anos após seu nascimento. Essas fotos valem mais do que mil palavras. Esta é uma foto minha quando bebê. Vejam a testa alta, as orelhas, o nariz  O sorriso clássico. Estou mais velho e, espero, mais sábio do que estava nesta foto. O DNA básico é o mesmo. Tentamos fazer o mesmo na cosmologia. Tiramos a foto do universo quando bebê, e vemos sua aparência quando tinha poucos dias de idade. Depois podemos usá-la para ver como chegamos da foto do bebê ao universo que vemos hoje. Mas, talvez ainda mais empolgante, podemos tirar a foto e voltar no tempo para aprender sobre o princípio do universo, saber de onde veio o bebê, equivale ao que houve nos primeiros instantes do Big Bang. Os detalhes do nosso nascimento estão impressos nesta foto. Mas o que houve entre aquele momento de singularidade e a foto da sonda de  mil anos depois? Para o Dr. Alan Guth, físico do MIT, esta lacuna na história do nosso universo era a chave para tudo que surgiu antes e depois do Big Bang. O universo que vemos é inacreditavelmente uniforme, e isso é difícil de entender, pois explosões convencionais não agem assim. Mas outros cientistas têm ideias diferentes sobre o que houve naquele momento de singularidade. As leis físicas não funcionam. As equações matemáticas não são mais coerentes. O princípio do tempo está prestes a ficar ainda mais estranho.  anos após os dois rádio-astrônomos ouvirem o fraco murmúrio do nosso próprio nascimento cósmico, David Spergel agora tem a foto do universo bebê. Apesar das cores vibrantes, visíveis na imagem da sonda, ela descreve uma minúscula variação de temperatura ao longo do universo. Quando vemos o mapa da sonda, estamos vendo minúsculas variações na temperatura do universo de um lugar ao outro, variações entre uma parte em  mil e uma em  mil. Acho que o universo que vimos com o satélite WMAP não era caótico mas muito ordenado, homogêneo e calmo. Mas se o tempo e o espaço surgiram de uma explosão cataclísmica de energia, o universo não seria desigual e caótico em todas as direções? Não exatamente. Não posso começar dizendo isso, posso? Para o Dr. Alan Guth, o que houve durante esse primeiro instante do tempo era um mistério intrigante que precisava ser solucionado. Decifrá-lo virou o trabalho da sua vida. Havia na cosmologia um problema sério para entender a uniformidade do universo. Ele tem a mesma intensidade em todas as direções que olhamos, uma parte em .. Significa que o Big Bang foi inacreditavelmente uniforme. Isso é difícil de entender, pois as explosões convencionais não agem assim. Preparamos um balão que será lançado de um ponto bem alto, a partir de uma grua. O balão está cheio de tinta, e veremos que tipo de padrão uma explosão típica produz. Esta é a aparência de uma explosão típica. Ela não é uniforme. Há manchas aqui e ali e espaços brancos pelo meio. O universo primordial não se parecia com isso. Alan precisava de algo que abrandasse imediatamente todo o plasma quente e denso que acabara de surgir. Eu me deparei com a ideia da inflação, de que a gravidade pode, sob certas circunstâncias, agir repulsivamente e produzir uma aceleração gigantesca na expansão do universo. Isso pode ter ocorrido universo primordial. A ideia central por trás da inflação é a possibilidade de que pelo menos um pequeno trecho do universo primordial continha esse material peculiar de gravidade repulsiva. Apenas um minúsculo fragmento disso e o Big Bang produz esse efeito da gravidade repulsiva. A inflação cósmica ocorre logo após a transformação do nada em algo. Um trilhão de trilhão de trilionésimo de segundo depois, um campo de força pega todo o espaço altamente comprimido criado nesse primeiro momento singular, que ainda é quase infinitamente pequeno  E o compele para fora. Uma minúscula fração de segundo depois, o universo tinha dobrado de tamanho  mil vezes. Um tipo diferente de pintura ilustra esta ideia. Iremos pintar em fotografia de alta velocidade uma esfera em desenvolvimento. Ao invés de obtermos o padrão anterior, quando jogamos o balão devemos ver um desenvolvimento suave de um universo primordial. Com esta expansão suave e ordenada, o nosso universo foi formado. Essa ideia de inflação virou a versão padrão da cosmologia, e ela fez uma série de previsões que foram confirmadas. Ela se coaduna muito bem ao que vemos. Com a inserção da inflação, a teoria do Big Bang virou uma coesa peça em três atos. Primeiro ato  A singularidade surgiu do nada, contendo em um único ponto toda a energia que sempre existirá em nosso universo. Segundo ato  A inflação se instalou. Uma rápida expansão inimaginável do espaço disseminou suavemente essa energia, impondo ordem no universo. Agora é uma imensa sopa de plasma uniforme em expansão. Terceiro ato  O universo esfria. A matéria começa a aglutinar-se sob a força da gravidade, acabando por formar estrelas, galáxias e planetas. Para a maioria dos cosmólogos, essa peça em três atos é a melhor explicação para o que ocorreu no princípio do universo. Mas não para todos. Interpretar isso como princípio é só um escape. Ela não deriva de nenhuma teoria. É um lugar onde a própria teoria não funciona. O Dr. Martin Bojowald é professor de Física no Instituto para Gravitação e o Cosmos, na Penn State. Ele é a estrela em ascensão de uma nova geração de cosmólogos que está desafiando crenças antigas sobre o universo. A inflação pode ter atuado no segundo ato, mas Martin acha que a peça começa com um primeiro ato muito improvável. A súbita e singular transformação do nada no universo inteiro. A singularidade significa apenas que não entendemos muito bem a teoria. Alan Guth usou a teoria da inflação para chegar a um trilhão de trilhão de trilionésimo de segundo após o princípio. Martin chegou um milhão de vezes mais próximo. Na teoria de Bojowald, o tempo não flui livremente, mas é composto de pedaços discretos e mensuráveis. Esses pedaços de tempo são chamados átomos espaço-tempo. É uma forma bem diferente de pensar no que houve antes do princípio. Aqui temos um belo e antigo relógio de pêndulo. Como podemos ver, eis o pêndulo. Ele oscila de forma contínua, informando ao relógio como o tempo transcorre. Não são marcas discretas, mas sim um movimento contínuo do pêndulo. Esta é a clássica figura do tempo medido continuamente. No tempo quantizado, a história é bem diferente. Para o tempo quantizado, a imagem é determinada pelo segundo ponteiro do relógio. Ele não é contínuo. Não é o oscilar do pêndulo, que podemos parar em qualquer instante ou posição. Aqui, as diferentes posições são determinadas por certos conjuntos discretos entre uma batida e a seguinte. É uma quantia finita de tempo que não pode ser subdividida. Na versão de Bojowald do universo primordial, nunca se obtém o nada. O segundo ponteiro do relógio quantizado marca não só o início de um instante, mas o fim de outro. A batida que sinalizava o amanhecer no nosso universo marcava meia-noite e um segundo no anterior. Este balão representa o universo. Se imaginarmos o que poderia ter ocorrido antes do Big Bang, ele estava em colapso, logo o volume diminuía. Se seguíssemos a evolução usual, segundo a relatividade geral, isso terminaria em uma singularidade. O balão inteiro iria esvaziar-se completamente. Mas devido à natureza atômica do espaço e tempo, a ação atrativa da gravidade muda. Ela se torna repulsiva nessas altas densidades. O colapso para. As forças se invertem, assim há uma força repulsiva que faz o universo reexpandir. Em algum momento, ainda não temos certeza, mas ele poderá entrar em colapso no futuro, assim todo o ar poderá ser expulso de novo. O volume diminuiria, a densidade aumentaria, provavelmente se aproximaria outro Big Bang. O universo expande-se e contrai, mas ele nunca realmente inicia. Poderia ter havido uma série de universos antes deste e mais poderão surgir depois dele. Bojowald lida com problemas e enigmas que todas as novas teorias radicais enfrentam. Sua teoria não é completa, e talvez nunca seja. Ainda trabalhamos nas equações. Não temos a resposta completa, mas essa parece ser a melhor teoria para lidar com tais problemas. Em , dois dos principais cosmólogos do mundo publicaram uma tese sugerindo uma abordagem ainda mais radical para o que houve no princípio. Para esses dois cientistas, havia outra resposta tão estranha e inesperada que sequer foi considerada. As explosões são infinitas. Nosso universo pode não ser o único, mas um de centenas, milhares, talvez um número infinito. É uma sugestão inspiradora e assustadora. O universo é um ciclo infinito ocasionado por uma série de explosões contínuas, eternamente. Quando observamos o espaço, olhamos uma estrela distante, também estamos vendo de volta no tempo. A luz de galáxias distantes leva bilhões de anos para chegar até nós. Agora sabemos que há um limite para até onde podemos ver. A borda do universo visível. A luz desse pano de fundo cósmico levou , bilhões de anos para chegar à Terra.
 O que há além dessa cortina? Segundo o professor Martin Bojowald, o tempo é comprimido e distorcido à medida que se aproxima de uma singularidade e depois oscila para outra expansão. Mas talvez haja uma forma completamente distinta para ver o que ocorreu antes do princípio. O cientista sul-africano, Dr. Neil Turok, ousa a ir ainda mais longe no passado do que qualquer outro. África! Sua visão radical do cosmos foi influenciada pela luta dos seus pais durante o Apartheid. Meus pais eram ativistas políticos contra o governo sul-africano. Eles foram presos por suas opiniões. Mas, por fim, a democracia chegou à África do Sul e eles foram eleitos membros do parlamento. Os únicos membros marido e mulher do parlamento, além de Nelson e Winnie Mandela. Eles serviram como modelo de persistência. Só porque, no momento, as suas ideias não são de bom gosto ou aceitáveis, se acreditar que o que está fazendo é correto, persista. Desde que entrou no campo da física teórica, o cientista sul-africano procurava novas respostas para antigos problemas. Há um conhecimento convencional na área, e as pessoas são lentas para aceitar novas ideias. E, para ser franco, muitas pessoas construíram as carreiras sobre o status quo, e não querem que uma nova ideia surja e altere a situação. Para Neil, a divulgação da sonda trouxe à tona sentimentos familiares sobre ver o universo através de uma lente ligeiramente diferente das de alguns dos seus colegas. Na conferência de imprensa da sonda, claro que os cientistas envolvidos o vincularam explicitamente à inflação, dizendo, "isto confirma dramaticamente a inflação. " Isso me fez contorcer de raiva. A minha opinião era de que a informação contida nos dados da sonda não era, por si só, suficiente para provar ou rechaçar a inflação. Ele não foi o único. Do outro lado do Atlântico, outro intrépido cientista trabalhava para descobrir a verdade por trás do que houve antes do princípio. Paul Steinhardt ocupa o cargo de professor Albert Einstein de Física na Universidade de Princeton. Quando jovem, Paul foi levado a estudar ciência pelo pouso na Lua.  Escolhemos ir à Lua nesta década e a fazer outras coisas,   não porque são fáceis, mas porque são difíceis.  Em , os dois juntaram forças para ver se poderiam responder a alguns dos problemas com o modelo inflacionário do que houve no princípio. A inflação obteve alguns êxitos extraordinários, por isso é difícil competir com ela. Não contarei todas as ideias que foram tentadas e jogadas fora. Temos objetivos similares, agitar a área de vez em quando e criar algo ousado, original e diferente para melhorar o status quo. Organizei uma conferência com Neil Turok. Tínhamos interesse comum na teoria das cordas, que surgia naquela época, se podia estimular novas ideais na cosmologia. A teoria das cordas foi desenvolvida nos últimos  anos numa tentativa de criar uma única teoria para explicar tudo no universo. Nela, tudo é composto de minúsculas cordas vibrantes. Mas para a matemática da teoria das cordas funcionar, devia haver mais de  dimensões do espaço que vemos. Pelo contrário, há  dimensões, além do tempo. O espaço-tempo é uma substância flexível, como uma membrana, e ela pode esticar e encolher. Sabíamos que essas coisas podiam se mover, mas ninguém havia estudado a dinâmica de tal processo. Trouxemos especialistas, como Burt Ovrut, que é um dos mais versados desenvolvedores de modelos de partículas físicas baseados na teoria das cordas. Ele deu uma bela série de palestras nas quais descreveu uma ideia do nosso mundo tridimensional inserido em um mundo brana separado por uma pequena fenda de outro mundo brana ao longo de uma dimensão espacial extra. Enquanto estávamos sentados, tivemos o mesmo pensamento  Se considerarmos que esta é mesmo a estrutura do universo, há uma nova interpretação para o que seja o Big Bang. O que ainda não tínhamos enfrentado? Qual o problema que não podíamos ignorar? E a principal questão era a singularidade. Nós dois nos aproximamos de Burt por ambos os lados  Encurralamos Burt após a palestra  Cada um de nós concluía a frase do outro  Dizíamos, "E se estas coisas colidirem? O que haveria?" "O Big Bang não seria o princípio, mas uma colisão?" E a resposta dele foi "talvez". O encontro logo acabou, mas os três tinham sido convidados a ir à mesma peça em Londres naquela noite. Nos encontramos na estação do trem, então começamos a imaginar essa ideia em mais detalhe sobre o que representaria se o Big Bang não fosse o princípio, mas uma colisão. E fomos de trem para Londres, pensando acerca disso de uma forma muito livre, sem estrutura ou matemática. Nos indagávamos se poderíamos inventar algo que fosse diferente da visão inflacionária, da visão padrão. Tínhamos ideias grosseiras de como fazer, mas nada era óbvio. O tempo voava enquanto o trem se movia. Foi um desses raros momentos quando sentimos que uma ideia vibrante está surgindo, uma espécie de sexto sentido de que algo importante acontece. Criar uma ideia grosseira de como as coisas podiam funcionar é, claro, empolgante, mas ao ter uma ideia assim, e decidir realmente a pô-la em prática, você está se condenando a anos de angústia, pois agora teria que fortalecê-la. Para resolver esse mistério, Neil e Paul recorreriam a um dos mais difíceis desafios intelectuais da mente humana. O incrível e estranho mundo do espaço undecadimensional   e universos paralelos ao nosso. Albert Einstein foi um pensador formidável. Suas teorias da relatividade foram avanços inovadores que desencadearam um século de conhecimentos cósmicos. Mas ainda mais fundamental foi a sua percepção de que o tempo e o espaço estão interligados. As  dimensões do espaço fazem parte de um tecido quadrimensional chamado "espaço-tempo". Mas hoje há um novo movimento na física teórica. Chamado "Teoria das Cordas". E dessa teoria provém a Teoria-M. Nela, não existem , mas surpreendentes  dimensões.  dimensões espaciais e mais uma temporal. O que vem a ser a Teoria-M? Certo. A Teoria-M é uma tentativa de  Deixe-me começar de novo. Mundos tridimensionais infinitos expandindo-se  Permita-me recomeçar. Por que alguém pensaria  Como alguém faz isso não parecer loucura em  frases? A Teoria-M é uma teoria unificada promissora de todas as forças e elementos fundamentais que observamos na natureza. De certa forma, poderíamos descrevê-la como o ápice dos desenvolvimentos da física teórica durante o século XX. Para essa teoria funcionar, é preciso ter mais do que as  dimensões espaciais, a ideia central por trás da Teoria-M é de que há mais de  dimensões do espaço que vivenciamos. Existem dimensões ocultas. De fato, há mais , e o motivo de não nos darmos conta delas é que são tão minúsculas que para vê-las precisaríamos de um microscópio muito poderoso bem mais do que qualquer um que temos. Nosso mundo tridimensional subsiste numa superfície inserida em um espaço com uma dimensão espacial extra que o separa de outra superfície desse tipo. Uma possibilidade que surge dessas dimensões extras é que este outro mundo tridimensional poderia ter apenas uma fração de centímetro do nosso e mesmo assim oculto de nossa vista. Essas superfícies são chamadas "branas", corruptela do termo "membrana", para nos lembrar que tais superfícies são elásticas. Elas podem esticar, oscilar e distorcer-se. Elas podem se mover ao longo desta dimensão extra. Todas as partículas das quais somos feitos são pequenas branas onduladas. E todas as dimensões do espaço as quais viajamos são compostas de branas. Tudo no universo é composto por esses objetos geométricos. Não sei se posso repetir isso de novo. Cuidado! Entraram num lugar chamado "mundo brana". Estamos presos como moscas no papel pega-mosca ao nosso mundo brana. Não podemos nos aproximar de uma dimensão extra, de  a menos  centímetros, para tocar em outro mundo brana. Foi por meio desse mundo de branas que Paul e Neil depararam-se com uma nova ideia potencialmente radical para o que houve antes do princípio. Tenho aqui uma peça de material, parece um objeto bidimensional, pois uma das dimensões é vertical e a outra, horizontal. Mas se observamos de perto esse objeto, ao vê-lo de lado, irão ver que há duas peças de material, separados por uma minúscula fenda. Pensem nessa fenda como sendo a quarta dimensão do espaço. E a colisão desses dois mundos tridimensionais, aquele no qual vivemos e outro, teria sido o Big Bang. Seria uma colisão, não o surgimento a partir do nada. Se os branas existiam antes e depois, significa que o espaço e o tempo existiam antes. Podem ter ajudado a preparar as condições do universo atual. Eles colidem e voltam a distanciar-se. O Big Bang não foi o princípio. Significa que temos mais tempo para resolver os problemas cosmológicos que a inflação foi criada para resolver. Começamos a pensar se poderíamos substituir essa ideia por algo que ocorreu antes do Big Bang. Na viagem de trem, começamos a pensar em muitas possibilidades, assim, ao final, parecia uma alternativa animadora ao modelo padrão do Big Bang inflacionário. Durante os  meses seguintes, os três e outro físico, Justin Khoury, trabalharam fervorosamente para esclarecer e justificar a sua centelha de criatividade inicial. Tínhamos de fazer a matemática funcionar e isso envolvia criar muita física nova para explicar o movimento dos branas ao longo das dimensões extras sob influência de uma força que tenta reuni-los. Essa matemática não existia antes. Uma nova teoria do universo ganhava vida. A imagem que tínhamos na mente era de  mundos tridimensionais expandindo-se ao infinito mas separados um do outro por uma minúscula fenda, uma quarta dimensão do espaço. Os dois mundos tridimensionais são aproximados por uma força bem fraca.
 Essa força precisa ser muito fraca, do contrário, a explosão ocorreria rapidamente. Sabemos que os ciclos não podem ser muito curtos, pois já transcorreram  bilhões de anos desde a última explosão do universo. Um trilhão de anos seria um bom valor típico para o que esperamos que seja a duração de um ciclo. Conforme os branas se aproximam, a força fica cada vez mais forte. E, quando colidem, a energia cinética dos branas é convertida em radiação de calor que toma conta dos dois mundos tridimensionais e assemelha-se ao Big Bang. Quando os branas novamente se distanciam, eles ficam repletos de matéria e radiação criadas na colisão. Isso os faz começar a reexpandir e esfriar, criando um novo período de expansão, resfriamento, criação de novos átomos, moléculas, estrelas e galáxias. Tínhamos uma explicação para o Big Bang. Referem-se a isso como "singularidade cósmica", um tipo de colapso nas leis da física, que, na teoria padrão do Big Bang, ignoramos. Mas, nesta imagem, fornecemos uma explicação para ele. Ele foi a colisão entre esses dois mundos branas. Uma teoria para o que foi a singularidade cósmica. Era uma solução radical e elegante para um dos maiores mistérios cósmicos de todos os tempos. Segundo Neil, Paul e seus colegas Burt e Justin, sempre existiu o tempo antes do tempo. Após quase  anos de trabalho, era hora de apresentar essa nova teoria aos colegas cientistas. Numa conferência na Finlândia, os dois físicos apresentaram sua teoria. A recepção foi hostil. A crítica foi que estávamos presumindo ou afirmando que os branas seriam planos e paralelos sem mostrar por que isso seria verdadeiro. Estávamos tão empolgados com essa ideia, mas todos só a estavam criticando. Para ser franco, a conferência não foi boa. No dia seguinte, estávamos deprimidos, começamos a andar ao longo do rio perto de Rovaniemi e discutimos sobre o que poderia substituir essa ideia. Começamos a pensar em algo que ainda não estava presente na teoria, a ideia da energia escura. A energia escura é uma descoberta astronômica recente e totalmente surpreendente. Uma força misteriosa que faz o universo expandir ainda mais rápido. A energia escura acabará por expandir tanto o universo que ele será um mero espaço frio e vazio. Na linguagem da Teoria-M, representa um brana plano. O estágio da energia escura expande os mundos tridimensionais, deixando-os planos, vazios e paralelos. Claro, isso imediatamente levou a outra ideia. Operávamos com algo, mas o utilizávamos antes da explosão. Talvez a fonte da energia escura fosse a mesma da atual e o universo de alguma forma seja cíclico. Assim, teríamos uma explosão seguida por um período de normalidade do universo, como o que vivemos hoje, seguido por uma segunda explosão em nosso futuro, seguida por outra e assim por diante. As explosões são infinitas. Agora sua teoria estava completa. Dois mundos branas colidem, injetam energia um no outro, depois a energia escura leva cerca de um trilhão de anos para espalhar essa energia. Os branas aplainam e depois voltam a colidir. Esse ciclo ocorre eternamente. Neil Turok e Paul Steinhardt criaram uma teoria alternativa notável para o Big Bang e abriram a porta para o que houve antes do princípio. Por mais diferentes que sejam os modelos, eles produzem as mesmas exatas variações na radiação de fundo. A mesma imagem da sonda adequa-se a ambas as ideias. É verdade que, quando foi feita a divulgação da sonda, a forma que a maioria a interpretou foi de que se adequava perfeitamente à imagem do Big Bang inflacionário. Para nós, o modelo cíclico ainda fazia parte da disputa tanto como a inflação. Mas qual teoria está certa? A resposta de um dos maiores mistérios cósmicos de todos  "havia tempo antes do nosso tempo?"  podia estar circundando a Terra milhões de km acima de nossas cabeças. O que houve antes do princípio? A questão está posta. Os adversários definidos. Os argumentos finais estão sendo preparados. A resposta seria "nada"? Teria o Big Bang súbita e inexplicavelmente surgido de um tempo e espaço inexistentes? Teríamos surgido da contração de um universo anterior ao nosso? Ou estamos vivendo a um trilionésimo de trilionésimo do comprimento de um átomo de um outro universo paralelo, e a cada trilhão de anos, esses mundos paralelos colidem e enchem-se de grandes quantias de energia e matéria? O universo oscilante do professor Martin Bojowald ainda está sendo trabalhado, mas para os defensores do modelo cíclico e do Big Bang inflacionário, a resposta de "como" e "quando" o universo começou pode estar se movendo em nossa direção através do tempo e espaço como minúsculas ondas no oceano cósmico   ondas gravitacionais. A onda gravitacional se parece muito à onda sonora. Estamos habituados a uma onda sonora deslocar-se de mim até você, conforme eu falo, devido à compressão e expansão do ar entre nós. Assim, as moléculas ficam mais densas e mais distantes à medida que a onda se desloca até você. Mas as ondas gravitacionais agitam não as moléculas de ar, mas o próprio espaço, significa que podem expandir ou comprimir um raio de luz e alterar a sua cor. Se o espaço for expandido, veremos a radiação mudar para frequências vermelhas, de maior comprimento de onda. Se ela estiver vindo em nossa direção, a veremos ligeiramente mais azulada do que deveria ser. Assim, analisando cuidadosamente o padrão da radiação no céu, podemos inferir se há ondas gravitacionais deslocando-se através de nosso trecho do universo. E a tecnologia de foguetes levará os cientistas longe o bastante para observar essas ondas gravitacionais. O satélite Planck é o sucessor da WMAP. Ele irá registrar o céu com o dobro da resolução e cerca de  vezes mais sensibilidade. O satélite Planck é o primeiro dispositivo que temos que parece ter uma capacidade forte para talvez encontrar essas ondas de gravidade. Se tivermos sorte, irá nos dizer o que houve nos primeiros instantes do Big Bang, ou talvez o que houve antes. Para os defensores do modelo do Big Bang inflacionário, encontrar ondas gravitacionais expressivas seria o último passo para provar que houve uma expansão gigante de ondas de energia a partir do espaço e tempo inexistentes. Mas Paul Steinhardt e Neil Turok também anseiam pelos resultados do satélite Planck. Em seu modelo cíclico do princípio do universo, a aproximação de dois branas seria uma colisão menos intensa, a probabilidade seria de que as ondas gravitacionais fossem quase inexistentes. Se virmos ondas gravitacionais no satélite Planck, isso dará suporte a teoria inflacionária e descartará a cíclica. E, caso contrário, se não as virmos, isso iria apoiar a visão cíclica. Mas não importa qual descrição do princípio do universo pareça ser mais precisa, o verdadeiro vencedor será nosso próprio conhecimento científico. É o homem contra a natureza. Tentamos descobrir os segredos da natureza. Se tivermos sorte, seremos surpreendidos. Essas ondas minúsculas quase indetectáveis terão o efeito de um tsunami sobre o rumo futuro da cosmologia. Ao invés de surgidos do nada e ascendido da poeira estelar à humanidade, talvez tenhamos de considerar a premissa perturbadora de que somos apenas a versão mais recente de uma série de universos infinitos. Podemos não saber ainda o que houve antes do princípio  mas saberíamos que algo aconteceu. A resposta final  pode estar ao alcance da mão.

O TEMPO REALMENTE EXISTE?

O tempo
Tempo.
Ele está ao nosso redor. Mas ele é o que pensamos ser? O tempo parece avançar   mas será que pode recuar? Os eventos se desenrolam um após o outro, ou o passado, o presente e o futuro existem lado a lado? É um dos assuntos mais desafiadores da ciência, questionando nossas concepções mais básicas da realidade. O tempo é uma parte fundamental do Universo, ou talvez o tempo realmente não exista?  ATRAVÉS DO BURACO DE MINHOCA  Espaço, tempo, a própria vida. Os segredos do cosmos através do buraco de minhoca.  O TEMPO REALMENTE EXISTE?   MUSKETEERS Otoni Rukazu Sofista Kakko  Que horas são? Eu poderia dizer que são h, mas o tempo pode variar, dependendo de onde se está e quando. Para a maioria de nós, o tempo é um conjunto de números que usamos para medir nossos dias. Vivemos nossa vida pelo relógio, acordando, correndo para trabalhar, indo para cama e assim por diante. Mas nem sempre foi assim. Quando eu era criança, os verões eram atemporais. Não tinha um lugar determinado para estar, sem compromissos a cumprir. Meus dias eram delimitados apenas pela posição do sol. O tempo não importava muito à época. Hoje, minha vida é uma corrida contra o tempo. Mas contra quem estou correndo? O tempo é algo real incutindo no Universo? Ou é apenas uma abstração, algo que criamos para manter nossas civilizações funcionando? Para responder, temos de fazer uma pergunta supostamente simples: O que é o tempo? Pense sobre isso. Tente defini-lo. Não é fácil. Tempo é o que impede que tudo aconteça de uma vez, assim, o tempo é a parte do mundo que ordena os eventos de forma que ocorram em sequência, do princípio ao fim. Estamos notando na neurociência que o tempo não é o que pensávamos. O tempo não é algo que se acompanha passivamente. Ao contrário, é algo construído ativamente com o cérebro. O meu cérebro e seu podem ser muito diferentes em termos de como veem o mesmo evento. O tempo não existe. O que existe é uma  distribuição de tudo no mundo, o que chamo de "agora". É isso que existe. O que eu gosto é do registro do tempo. Para Roger Smith, tempo é dinheiro. Seu relógios personalizados são vendidos por milhares de dólares. A parte mais difícil do trabalho é fazer essa selva de pequenas engrenagens e rodas dentadas bater em intervalos espaçados precisos. Introduzir o tempo num relógio é um processo longo e complexo, esta roda dentada tem de estar em equilíbrio perfeito. Se não estiver em equilíbrio perfeito, o relógio terá velocidades diferentes, tempos diferentes em posições distintas. O objetivo de Roger é fazer seus relógios coincidirem com a hora de Greenwich, o fuso que todo relógio ao redor do mundo usa como base. Ele recebeu o nome deste lugar, Greenwich, Inglaterra. O tempo, tal como conhecemos, nasceu aqui. Em , uma conferência mundial decidiu que o meridiano que corta o observatório de Greenwich seria o meridiano inicial, o fuso base da Terra. A hora de Greenwich é nossa melhor representação do tempo como descrito por Sir Isaac Newton, a batida constante por trás do cenário do Universo. Newton acreditava que o Universo era um relógio gigante posto em movimento por Deus. Mas Newton entendeu errado. Lee Smolin é um físico teórico que tenta resolver os mistérios do tempo. O conceito de Newton era de que o tempo era absoluto. Como um metrônomo, que, como ele disse, bate de forma absoluta, sem considerar se algo está ou não ocorrendo no Universo, mesmo que nada esteja acontecendo. Por exemplo, mesmo que não haja música neste estúdio, o metrônomo segue batendo no mesmo ritmo, independente do que esteja ocorrendo. O problema é que é impossível qualquer um de nós detectar o tempo absoluto. Não detectamos o tempo absoluto. Detectamos o tempo como relações entre coisas que acontecem. Podemos ilustrar isso pedindo aos músicos para começar a tocar. Um, dois, três, quatro. Eles começam a tocar, desenvolvem o tempo entre eles, um tempo relativo construído a partir das relações entre as notas que tocam, os eventos que criam. O tempo é assim. Podemos desligar o metrônomo. Podemos nos livrar dele, que o mundo e a música continuam como antes. Essa foi a grande sacada de Einstein, a base de sua Teoria da Relatividade. Que o tempo é criado pelas relações de mudanças que ocorrem no Universo. Nada mais. Mesmo hoje, algumas pessoas têm dificuldade em aceitar o tempo relativo de Albert Einstein em relação ao absoluto de Isaac Newton. Mas conforme melhoramos na precisão do tempo, mais vemos que Einstein tinha razão. Este é o relógio experimental de íons de alumínio do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia em Boulder, Colorado. O medidor oficial da hora nos EUA. É o relógio mais preciso do mundo, medindo as oscilações de átomos supercongelados. Ele atrasa apenas um segundo a cada , bilhões de anos. Em , o senhores do tempo de Boulder colocaram dois relógios de íons lado a lado em perfeita sincronia, depois puseram um dos relógios a  cm de altura. O relógio mais alto dessincronizou. Ele batia um pouco mais rápido que o relógio mais baixo, em razão de o mais alto estar um pouco mais longe da força gravitacional da Terra, que desacelera as coisas. Einstein previu que isso aconteceria já no início do século XX, e ele estava apenas começando. Se percebêssemos o Universo como Einstein imaginou, a vida não fluiria em uma suave progressão linear. Um ato simples poderia ser interrompido e rearranjado sem direção lógica, para trás ou adiante, sem princípio ou fim. O Universo seria assim se não estivéssemos fisicamente presos ao tempo. Sean Carroll é físico do Inst. de Tecnologia da Califórnia. Vivemos no espaço. Ao nosso redor, existem três dimensões espaciais. Einstein percebeu que o tempo também é uma dimensão. Na verdade, o tempo e o espaço são uma coisa só chamada espaço-tempo, que é quadrimensional. É nisso que vivemos. Moramos e vivemos nossas vidas nisso. Além disso, Einstein notou que a gravidade é uma manifestação da curvatura do espaço-tempo. Há coisas no Universo, um planeta, um buraco negro algum tipo de massa ou energia, que deformam o espaço e tempo ao seu redor, é isso que vemos como gravidade. É o espaço-tempo que é deformado. Tanto o tempo quanto o espaço. Se viajarmos perto de um campo gravitacional forte, sentiremos a passagem do tempo diferente do espaço sideral. A relatividade do tempo causa vários efeitos estranhos, como o tempo passando mais rápido para astronautas do que para pessoas na Terra. Mas a solução de Einstein para o mistério do tempo originou uma ideia ainda mais desafiadora. Se olharmos ao redor, veremos que tudo no espaço existe aqui e agora. Isso não quer dizer que todo o tempo, passado, presente e futuro também existam da mesma forma? Será que o futuro já está por aqui? A física afirma que os momentos do tempo são igualmente reais, isso nos leva a dizer que todos existem simultaneamente, existem neste instante, mas não é o que parece. Momentos distintos de tempo são como lugares distintos no espaço. Eles não estão aqui. Existem, mas em outro lugar. A diferença é que, ao contrário do espaço, não podemos fazer nada além de vivenciar o tempo um momento após o outro. Não podemos voltar a momentos do passado, e não podemos, agora, conversar com eventos no futuro. Esse tipo de deslocamento temporal parece contradizer as leis da Física e a experiência humana. Ou será que não? Talvez não. Este homem afirmaria que o mundo está cheio de gente que não está presa ao tempo e que talvez o próprio tempo esteja apenas em nossa cabeça. O tempo é a "batida constante" por trás do Universo? Ou o tempo é algo que muda de um lugar ao outro e de pessoa para pessoa? Quanto mais velhos ficamos, mais rápido as correntes do tempo parecem nos levar. Nossa relação com o tempo muda conforme envelhecemos. Estudos mostram que a passagem do tempo parece aumentar pela raiz quadrada de nossa idade. Então, aos  anos, a relação é de  para , aos  anos, de  para . Aos  anos, será  para  , cerca de duas vezes e meia mais rápida. Todos vivenciamos o tempo segundo a segundo, mas não é percebido assim. David Eagleman da Faculdade de Medicina Baylor passou boa parte de sua carreira estudando como o ser humano percebe o tempo. Ele descobriu que nossa percepção do tempo é regida por estados biológicos e psicológicos. Muitas pessoas acordarão antes de o alarme tocar porque à medida que seu ritmo circadiano entra em movimento, seus sinais corporais dizem que é hora de levantar, e então elas acordam. Nossa noção de tempo também pode ser alterada por coisas como privação sensorial, super estimulação e estados alterados de consciência. Por exemplo, quando alguém fuma maconha, sente coisas como: "Nossa, estou aqui faz tempo. "Há quanto tempo estou aqui?" Como se sua passagem de tempo desacelerasse, mas não é exatamente a lenta percepção do tempo. Creio que seja sua incapacidade de fixar uma lembrança, o marco de quando chegou. Sem esse marco, parece que ele está lá há muito tempo. Se você alguma vez sofreu um acidente, talvez tenha vivenciado a estranha sensação de que o evento passava em câmera lenta. Mas ao contrário do "barato" dos narcóticos você se lembra de tudo em detalhes. Esse é outro caso da memória distorcendo o tempo. O que ocorre durante um evento de alta intensidade é que temos um centro de controle de emergência no cérebro que entra em ação e retém lembranças densas durante o fato. Por isso, ele parece ter demorado. A todo momento, o cérebro processa e sincroniza uma enorme quantia de informação. Atos simples são na verdade pequenos milagres da velocidade e do poder da mente. Quando estalamos os dedos, parece que é algo simultâneo. Parece que a visão e o som acontecem ao mesmo tempo. Mas, na verdade, o que acontece é que nosso sistema auditivo recebe a informação que chega pelos ouvidos e a processa rapidamente, enquanto a visão é muito mais lenta. O que acontece é que o cérebro escuta o som, e, depois, ele vê o movimento, e de algum modo pega ambos reúne e cria a história de que são simultâneos, muito embora os sinais cheguem ao cérebro em tempos distintos. Tudo está descompassado, mas não parece assim para nós.
 Parece que tudo é simultâneo. Leva alguns milionésimos de segundo para o cérebro juntar a informação e apresentá-la à consciência, isso significa que todos vivemos um pouco no passado. Esse "atraso" é a escolha que nosso cérebro faz para nos dar a melhor interpretação do que ocorreu. Mas quando ele não interpreta corretamente, isso pode mudar nossa relação com o tempo. Nosso tempo pessoal torna-se diferente dos demais, e isso pode ter consequências terríveis. Publicações médicas contam de um estranho caso de um homem que dirigia, e notou que as árvores e prédios ao lado da estrada estavam acelerando como se dirigisse a  km/h. Ele aliviou no acelerador, mas a paisagem continuava acelerada. Esse homem percebia o mundo acelerado. Na verdade, ele havia desacelerado. Ele andava e falava em câmera lenta. Ele estava livre do tempo. Mostrou-se que sua "doença do tempo" era causada por um tumor cerebral. Independente do que seja o tempo, ele está incutido profundamente em nós. Todos somos relógios com nosso próprio tempo interno. David Eagleman suspeita que uma leve dessincronização com a passagem do tempo pode levar à doença mental grave. Creio que a esquizofrenia pode ser basicamente um distúrbio da percepção do tempo. Imagine que haja um déficit na percepção do tempo onde não sabemos se nossas próprias ações vêm antes ou depois das consequências sensoriais. Teríamos uma cognição muito fragmentada. Não saberíamos o que causamos ou não. Para mostrar o quão flexível pode ser nosso tempo pessoal, David criou uma experiência que sutilmente distorce a percepção do tempo do voluntário. Imagine que faço você pressionar um botão que dispare um flash de luz. Agora, eu introduzo um pequeno atraso, que quando se pressiona o botão, o flash de luz surge / de segundo depois. Acontece que o cérebro habitua-se a esse atraso. Ele começa a entender que quando interpreta o ato, o retorno sensorial é um pouco mais lento que o esperado. Assim, ele começa a se ajustar a isso, e parece ser simultâneo para nós. Agora, se eu eliminar o atraso, você aperta o botão e o flash surge imediatamente, você acreditará que o flash veio antes de pressionar o botão. Isso é exatamente o que acontece na esquizofrenia. Alguém fará algo e dirá: "Não fui eu. "Não creio que fui eu quem fez isso." O tempo parece variar de pessoa para pessoa, e a natureza elástica do nosso tempo subjetivo fez David questionar se o tempo é, de fato, real. Creio que o tempo talvez seja o filtro psicológico mais inflexível que temos, e quando nos aprofundamos nisso, quando começamos a entender como o tempo é construído pelo cérebro, temos de voltar à Física e reorganizar todas as equações nela. É possível eliminar o fator humano e extirpar totalmente o tempo da nossa descrição física do Universo? Esse homem afirma que "sim." Ele reorganizou as equações de Einstein e descobriu que o tempo talvez possa nem existir. Declarar que o tempo é uma ilusão pode parecer radical, mas a negação do tempo é uma ideia antiga, de . anos. Em  a.C., o filósofo Parmênides declarou que o movimento era impossível porque para um objeto percorrer certa distância, ele teria que passar por uma série infinita de passos fracionários para ir de um lugar a outro, e ninguém podia dar infinitos passos. Se o movimento era impossível, então a mudança também era. Portanto, o tempo devia ser uma ilusão. Ninguém sabia ao certo como entender isso. Sem dúvida, o movimento é real. As coisas mudam e o tempo passa, certo? Talvez não. Num antigo vilarejo no interior inglês, este homem acha que as leis da Física Quântica provam que Parmênides tinha razão. Seu nome é Julian Barbour. Décadas atrás, ele começou a esboçar uma hipótese matemática de que o Universo não precisa do tempo, o que é estranho, pois ele está cercado pelo passado. Estamos na cidade, numa rua muito antiga, e atrás de mim está a minha casa, construída em . Newton tinha  anos à época. Ele começava a pensar seriamente no tempo e no movimento. Se o tempo não existe, o que é tudo isto? Para Julian, tudo que vemos é uma escavação arqueológica. As coisas acontecem primeiro e o tempo é deduzido a partir delas depois. Ele acredita que esta igreja milenar e estes murais do século XIV são provas que a completude do tempo existe em porções do espaço. Nosso passado é apenas outro mundo, ou é outra possível configuração do Universo. É um outro "agora". Isso é literalmente verdade. O instante não está no tempo. O tempo está no instante. A visão radical de Julian sobre o tempo surgiu da equação de Wheeler-DeWitt, um exercício matemático dos anos  que tentava conciliar a relatividade de Einstein com a Mecânica Quântica. Coisas estranhas acontecem quando se faz isto. Acabamos com uma equação que não tem representação do tempo. Como isso contradiz a realidade observável, muitos viram a equação como mais uma prova de que a Física Quântica e a teoria da relatividade não se casam bem. Mas para Julian, era uma revelação. Não há uma história única na Mecânica Quântica. Se a evidência das tentativas em combinar Mecânica Quântica com a teoria de Einstein estiver certa, o tempo não existe. Nos níveis mais profundos da realidade, o tempo não existe. O importante é como os objetos se relacionam nos quadros congelados do espaço. Minha visão do Universo é como uma enorme coleção de fotos instantâneas que são imensa e ricamente estruturadas. Elas não se comunicam. Elas são mundos próprios. Mas cada mundo é tão rico que faz, por assim dizer, parte deste mundo. São instantâneas dentro de instantâneas. A nossa vida é assim. O cérebro reúne os momentos congelados e os executam em nossa mente, da mesma forma que fotos imóveis, exibidas a  quadros por segundo, fazem as imagens que você está assistindo parecerem se mover. Mas nada está se movendo. O que chamamos de "tempo" é uma ilusão. De uma forma profunda, o universo quântico é estático. Nada muda. Segundo Julian, todas estas fotos instantâneas do Universo existem simultaneamente. Se eu disser que  o meu ontem não mais existe, seria como o número  dizer que o  morreu. Matemáticos diriam que isso é ridículo. Este instante é tão vital e vivo, mas de forma a ser eterno. Quando traduzimos isso matematicamente, é eterno. A visão do tempo de Julian Barbour pode parecer radical, mas está sendo levada a sério pela comunidade dos físicos, isso não quer dizer que todos concordem com ele. Longe disso. Lee Smolin, amigo de Julian, também é um dos seus maiores críticos. O tempo não é uma ilusão. Não é uma construção.
 O tempo não é emergente. O tempo é real. A ideia de que o tempo é uma ilusão desencadeou uma guerra na Física, guerra que pôs um amigo contra o outro. O tempo é uma ilusão que criamos para entender o Universo? Os neurologistas e físicos dizem que talvez seja. Mas há outros que dizem que não podemos ignorar quando nossos sentidos e observações nos dizem que o tempo realmente existe. Nessa visão, vivenciamos o mundo como um fluxo de momentos porque a natureza é assim. A passagem do tempo é uma verdade básica e talvez seja a única coisa verdadeira no Universo. Tim Maudlin é filósofo de física na Universidade Rutgers. Dizer que a passagem de tempo é uma ilusão, sugere que eu não estou envelhecendo o tempo todo, que eu deveria me preocupar que minha morte está, todo dia, cada vez mais próxima e assim por diante. Mas não posso acreditar nisso. Por mais que eu tente, não consigo acreditar. Isso não se encaixa ao mundo em que vivo. Para Tim, a existência do tempo é apenas senso comum. Então, por que alguns físicos negam isso? Tim acha que é o risco profissional de trabalhar com a matemática. Nossas representações na Física são todas matemáticas, e objetos matemáticos não estão no tempo. Eles não mudam. Ao se trabalhar muito com números, e números não mudam, usando-os para representar o mundo, talvez seja difícil ver como o mundo possa estar mudando. As pessoas parecem estar presas à ideia de que o mundo tem as características da matemática que elas usam para representá-lo. Isso lhes permite se deixar levar pela matemática e perder a visão do mundo físico. Julian Barbour acredita que o espaço é tudo o que existe e o tempo é uma ilusão. Tim diz que Julian entendeu tudo errado. Precisamos do tempo, mas não do espaço. Podemos fazer o espaço não ser fundamental, mas o tempo continua fundamental. Não precisa haver nada além do tempo, o inverso não é possível. Não pode iniciar com o espaço e obter o tempo. O tempo está no nível mais basilar. Creio que é isso que a Física está nos dizendo, embora não estejamos prestando atenção. O espaço surgiu primeiro? Ou foi o tempo? Essa afirmação remonta ao explosivo nascimento de nosso Universo, o Big Bang. Físicos concordam que o Big Bang criou o espaço. Eles não concordam se ele também criou o tempo. Há muita gente na física e filosofia que acha que o tempo é uma ilusão, que, no nível mais profundo, a verdade é que é atemporal, o tempo está ausente. Eu não acredito nisso. Eu costumava acreditar, mas passei a acreditar que o tempo é bem real. Lee Smolin acredita que o tempo é mais antigo que o Universo. Ele existia antes do Big Bang, e existirá depois de o Universo acabar. E ele acha que pode provar, olhando de perto como as partículas de luz se comportam em longas distâncias. Umas das principais leis da Física afirma que a luz viaja a .. m/s. Se tempo for uma ilusão, então isso seria verdade em toda parte Universo, independente de para onde olhemos. Mas se o tempo for real, é possível que as leis da Física tenham mudado conforme o Universo envelhecia. Se uma lei básica da Física, como a velocidade da luz, não se mantém verdadeira na parte mais antiga do Universo, saberemos que a Física evoluiu desde que o Universo nasceu, assim o tempo não pode ser uma ilusão. Deve haver algumas experiências onde, se olharmos atentamente, talvez a velocidade da luz não seja universal. E tais experiências estão sendo feitas. O telescópio espacial Fermi é uma dessas experiências. O Fermi registra explosões de raios gama, estranhas explosões de energia nos mais distantes rincões do Universo. Essas explosões nos dão a chance de verificar as leis da Física como eram há  bilhões de anos. Imagine dois fótons partindo de uma explosão de raios gama a  bilhões de anos-luz de distância. Um fóton é compelido com mais energia que o outro. Em nossa parte do Universo, os dois fótons viajarão exatamente à mesma velocidade. Mas se a física da luz for diferente na parte mais antiga do Universo, Lee acredita que o fóton com alta energia ficará um pouco para trás. Chegaria ao ponto onde, depois de  bilhões de anos, um deles estaria de  a  segundos à frente, mas isso é o suficiente para ser detectado. Podemos detectar  segundo ao longo de  bilhões de anos. Os dados das explosões de raios gama do Fermi chegarão nos próximos anos. Em breve, Lee talvez tenha sua prova que o "agora" de  bilhões de anos atrás é totalmente diferente do nosso "agora", e, portanto, o tempo deve ser real. Provas conclusivas de que as leis da Física mudam com o tempo iriam resolver o debate se o tempo é real ou uma ilusão. Mas ainda deixaria uma grande pergunta sem resposta: Por que existe tempo? Em teoria, a Física não parece precisar do tempo, mesmo assim a gente se sente movendo-se através dele. Se o tempo não surgiu na nossa mente, então de ele onde veio? Sean Carroll acha que tem a resposta. Mas é preciso um Universo gêmeo com o tempo fluindo para trás para que tudo dê certo. Abundam teorias sobre o funcionamento do tempo, no Universo e em nossas mentes. Mas é raro o físico que pergunta: "Por que existe tempo?" Se o tempo não é algo que o ser humano inventou, então de onde ele veio? Sean Carroll acha que sabe. Sean é físico teórico do Inst. de Tecnologia da Califórnia. O tempo é real. Nós o usamos todo dia. A evidência está ao nosso redor. Mas como cientistas, quanto mais pensamos no que o tempo significa, mais misterioso ele fica. Sean aceita a ideia de senso comum de que o tempo avança, do passado para o futuro, como uma flecha. Mas por que o tempo tem uma direção? Sean acredita que a resposta está intimamente ligada a algo chamado "entropia". O que torna o tempo especial é uma lei da Física, a segunda lei da termodinâmica. Ela afirma que à medida que o tempo passa, a entropia aumenta. A entropia nos diz o quanto as coisas são bagunçadas, desordenadas e caóticas no Universo. No passado, se formos até o Universo Primordial, ele era muito organizado. Como a configuração delicada e arrumada de bolas de bilhar. Com o tempo, é como se jogássemos bilhar, a primeira coisa que fazemos   é aumentarmos o caos no Universo. Conforme o tempo passa no Universo como um todo, desordenadamente, a entropia aumenta. Desde o explosivo nascimento do Universo, o aumento da entropia é a razão pela qual o passado é diferente do futuro  pela qual há uma flecha do tempo  pela qual nos lembramos do passado  pela qual envelhecemos  pela qual a evolução acontece da forma que ocorre. É tudo por causa do aumento da entropia. Então, cadê o mistério? Entropia aumenta conforme o tempo passa. Mas o interessante, nas leis fundamentais da Física, ocultas em tudo ao nosso redor, é que não há diferença entre o passado e o futuro. Nas leis que nos foram dadas por Isaac Newton, Albert Einstein, até na Mecânica Quântica, não há distinção entre uma direção de tempo e outra. Se tivermos um sistema físico simples, como duas bolas de bilhar, ao batermos uma na outra  não há diferença entre uma direção de tempo e outra. Pode voltar o filme, que ele pareceria perfeitamente normal. É apenas quando usamos sistemas macroscópicos complicados que há diferença entre o passado e o futuro. Quando temos muitas bolas na mesa, as coisas ocorrem numa direção do tempo, mas não na outra. Ou quando as coisas "pegam fogo" no bar. Agora, temos barulho, vidro quebrando, sangue jorrando. Esses são os processos que aumentam a entropia do Universo. Juntos, esses aumentos de entropia definem a flecha do tempo. A questão é: por que a entropia foi tão lenta para começar? Nosso Universo parece estar desequilibrado. O futuro distante será um lugar muito desorganizado, mas o passado distante era altamente organizado. Como físicos, esse tipo de desequilíbrio nos aflige. Sean procurou uma explicação para o desequilíbrio do tempo, e ele a achou no multiverso. Segundo essa teoria, o Universo que vemos pode ser um de um infinito número de universos. Imagine um Universo mãe. Esse Universo mãe pode gerar Universos bebês. Uma pequena oscilação quântica pode produzir uma bolha no espaço, que começa pequena e, depois, cresce. Começa com baixa entropia e, depois, aumenta, assim como faz o nosso Universo. Um Universo mãe gera um Universo como o nosso.
 Um Universo onde a flecha do tempo move-se para frente. Mas para ficar equilibrado, ela também tem de gerar um Universo oposto, onde o tempo move-se para trás. Isso significa que em alguma outra dimensão, nosso Universo tem um irmão gêmeo mau. Toda bolha é seu próprio Universo com sua própria flecha do tempo. Em cada bolha, a flecha do tempo parece correta, mas se compararmos bolhas diferentes, as flechas estarão apontando em direções opostas. A teoria de Sean do multiverso atraiu muita atenção desde que foi apresentada. Mas ela se mostrará como a solução definitiva para o mistério do tempo? Parte da construção da física é: "E se isso for verdade? E se aquilo for verdade?" Às vezes percebemos que dar esse salto hipotético ajuda com todos os problemas que temos. Outras vezes, acabamos com uma confusão nas mãos. A Mecânica Quântica e a teoria do multiverso oferecem meios interessantes para entendermos o enigma do tempo. O que ocorre aos acrescentamos a teoria das cordas a elas? Muita esquisitice. O mistério do tempo tem muitas soluções possíveis. O tempo é absoluto ou relativo? O tempo é uma ilusão ou um produto real da entropia? Mas há uma outra possibilidade, uma ideia que desafia nossa compreensão do ontem, do hoje e do amanhã. Para nós, o tempo parece correr da esquerda para a direita, mas e se ele também correr de cima para baixo? E se o tempo, como o espaço, tiver mais que uma dimensão? Uma dimensão oculta, que não podemos ver. Steve Weinstein, cientista do Instituto Perimeter, acha que isso pode ser verdade e que talvez resolva outro grande mistério, o mistério da incerteza quântica. Steve é físico, filósofo e músico profissional. Sua visão do tempo surgiu de uma das ideias matemáticas mais densas da ciência. A teoria das cordas. Os teóricos das cordas acreditam que o espaço tem mais que as  dimensões que vemos. Isso fez Steve pensar que a mesma ideia poderia ser aplicada ao tempo. Eu pensei: "por que multiplicamos as dimensões espaciais "tão facilmente, mas não o tempo? "Há algum motivo para isso?" Havia uma certa curiosidade. Steve pôs-se a trabalhar. O tempo sempre foi tratado como uma linha, uma coisa unidimensional. Mas se o tempo tivesse duas dimensões, não seria uma linha, mas uma forma. Se virmos este cabo de guitarra de longe, ele parece um objeto unidimensional. Ele parece uma linha. Se nos aproximarmos, veremos que tem outra dimensão, relacionada à circunferência do cabo. Parece um cilindro. Nosso mundo parece tridimensional da mesma forma que este cabo parece unidimensional de longe. Segundo Steve, se o tempo tiver uma dimensão extra, então as partículas fundamentais, como elétrons e fótons, estão dispersas no tempo. Uma forma comum de se descrever uma partícula seria falar de sua posição em dado momento do tempo. Então a partícula, ou a palheta, poderia estar aqui, aqui ou aqui. Seu eu fizesse um gráfico, teria o tempo como eixo vertical, eu desenharia assim. Se tivermos uma dimensão temporal extra, podemos visualizar a dimensão temporal perpendicular ao braço da guitarra, nesta direção. A partícula poderia estar aqui, talvez aqui e talvez bem aqui. Explicando de outra forma, a teoria quântica nos diz que as partículas subatômicas não têm endereços definitivos no espaço. Só podemos supor onde elas provavelmente vivem. Steve suspeita que elas têm endereços, mas tais endereços estão dispersos numa dimensão temporal extra que não podemos detectar. Se isso for verdade, revolucionará a Física. O confuso mundo quântico entrará em foco. Mas infelizmente, provar que o tempo bidimensional é real é praticamente impossível. Por um motivo, não é fácil de entender, mesmo para outros físicos. A matemática necessária para descrever um Universo com duas dimensões de tempo é difícil. Adicione o espaço de  dimensões da teoria das cordas, e a cabeça das pessoas explode. É um conceito muito desafiador. É o problema mais difícil que já enfrentei, por isso não há mais ninguém enfrentando. É difícil pensar no que representaria uma dimensão temporal extra? No entanto, Steve acha que o esforço compensa. A multiplicidade de tempos é uma forma, talvez a errada, mas é uma forma radicalmente diferente de conceituar o mundo físico. Os físicos que exploram o mistério do tempo observam o Universo de forma distinta, mas todos concordam em uma coisa. Nunca resolveremos o mistério se não investigarmos. É preciso trabalhar duro, estar preparado para fracassar muitas vezes e cometer muitos erros. Mas creio que esse conhecimento também aplica-se a toda comunidade científica. Ou seja, temos de testar toda ideia estúpida e errada antes de chegarmos à certa. O tempo talvez seja real ou uma ilusão. Mas da nossa perspectiva, o passado se foi para sempre, e o futuro ainda está para ser escrito. Independente de descobrirmos a existência de aspectos físicos temporais que não percebemos, a nossa experiência humana do eterno ciclo da vida e morte não mudará. Os preciosos verões da minha infância se foram para sempre. Mas, há novos verões adiante. Verões ricos do potencial das coisas que ainda estão por vir.